quarta-feira, 8 de maio de 2013

Será que não deveríamos mudar?



Será que não deveríamos mudar?

Como pastor e, principalmente, como membro da IELB, quero fazer eco às preocupações expostas pelo senhor Ricardo Goerl (ML, março de 2012) quanto ao reduzido crescimento numérico da IELB nos últimos anos. É certo que não buscamos números – buscamos pessoas. Todavia, os números revelam se estamos alcançando ou não tais pessoas que buscamos.

A matéria de capa do Mensageiro Luterano de jan/fev tem por título: “Evangelização: o desafio permanente para as congregações”. A pergunta é: será que estamos conseguindo vencer tais desafios? A julgar pelos últimos números, parece que não.

É louvável a preocupação da IELB em buscar métodos e estratégias como os Festivais Missionários propostos pelo DEM (ML, abril de 2012). Mas isso será suficiente? Afinal, outros métodos e outras estratégias têm sido usados... e os resultados? Será que apenas novas estratégias mudarão nossos números?

Gostaria de propor algumas questões para a nossa reflexão e auto avaliação como IELB:     
Será que não estamos “engessados” dentro de uma estrutura que não está se mostrando muito eficaz?

Dou como exemplo os departamentos que temos em nossas congregações. Reconheço seu valor, mas percebo que estão “envelhecendo”. A participação dos membros parece ser cada vez menor. Em termos missionários, sua eficácia é questionável. Com exceção de algumas Escolas Bíblicas e Uniões Juvenis, quantos novos membros da IELB são frutos de missão dos departamentos? Mas nos vemos forçados a mantê-los – para participar de congressos, por exemplo – e assim mostrar que “estão funcionando”. Afinal, se algum departamento “não funciona”, é porque o trabalho da congregação não está sendo bem feito!

Será que não estamos sendo muito “ativistas” e pouco “ativos”?

Enchemos nossas agendas de reuniões, encontros, congressos, etc. E, ai de nós, (pastores, principalmente) se não estivermos presentes em tudo! Achamos graça da anedota que diz que os luteranos serão o último grupo cristão a entrar no Céu porque ainda estão em reunião, mas continuamos fazendo com que tal comparação continue sendo muito verdadeira.

Será que não estamos invertendo nossas prioridades?

Há um clamor entre os membros pelo pouco número de visitas feitas pelos seus pastores. E a defesa pastoral é: “falta tempo!”. E como encontrar tempo dentro de agendas lotadas? A agenda de Jesus também estava sempre cheia: cheia de visitas a fazer, cheia de pessoas a encontrar, cheias de necessidades a atender, cheia de conselhos a dar, cheias de atenção... às pessoas! A prioridade de Jesus não eram as reuniões, os ensaios, etc.; sua prioridade sempre foi a visitação e o contato com o povo.

Será que não estamos apenas mantendo “as coisas que nos agradam”?

Sempre tivemos dificuldade de sair de nossa cultura germano-luterana. Temos dificuldade até mesmo de sair “para fora” do Rio Grande do Sul (nossos números revelam que praticamente metade de nossos membros estão no RS). Se não fosse por uma guerra, é possível que ainda estaríamos fazendo missão em alemão no solo brasileiro! Não desprezo nossas tradições, mas será que não estamos mantendo as coisas da maneira a que estamos acostumados? Não importa se é missionário ou não, o que importa é que “eu gosto das coisas do jeito que estão”. Somos luteranos “de berço”; talvez nos falte coragem para “sair do berço”. 

Será que não estamos “amarrando” o espírito Santo?

Talvez pensemos que ele só pode agir se a Palavra for pregada por alguém “vestido a caráter”, ou se for cantada através de letras “escravizadas” dentro de melodias antigas, ou se for exposta através de fórmulas pré-estabelecidas ou rígidos rituais. Correndo os olhos pelos evangelhos, não vejo Jesus tão preocupado com vestes, fórmulas ou tradições.

Será que não estamos “jogando nossas pérolas aos porcos” (expressão de Jesus em Mateus 7.6)?

Perdemos tempo correndo atrás de pessoas que já tiveram muito tempo (às vezes, desde “o berço”) para ouvir e aceitar a pérola do Evangelho, enquanto negamos a oportunidade (por falta desse mesmo tempo que perdemos) a muitos que nunca tiveram contato com o tesouro de Deus. Às vezes, damos a impressão de que nossa maior missão é “correr atrás das ovelhas perdidas do rebanho luterano”.

Será que mais pessoas “de fora” estarão dentro da IELB nos próximos anos ou estaremos fechados em reuniões elaborando métodos e estratégias para atingi-los?

Não espero que todos concordem com tais questionamentos. Só espero que sejamos de fato sinceros ao analisarmos nossos números e que façamos tudo por amor; não por amor ao nosso gosto, às nossas tradições, à nossa estrutura, ao nosso “berço”, mas por amor à Igreja, por amor à missão de Deus, por amor à missão de buscar pessoas, por amor às pessoas, por amor àqueles que Jesus continua amando.

Escrito por Valdir Klasener, pastor em Cerrito – RS
Artigo do Mensageiro Luterano, Abril 2013, p.24-25.

3 comentários:

Rev. Ari Fialho Júnior disse...

Olá Rev. Diego E. Neumann

Bela postagem.

Para honra e glória do nosso Senhor Jesus espero que surta o efeito desejado.

Rev. Ari Fialho Júnior
Igreja Evangélica Luterana Missionária.
Soli DEo Gloria!

Rev. Ari Fialho Júnior disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rev. Ari Fialho Júnior disse...
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